Modafinil – A Primeira Droga Inteligente Segura do Mundo

Modafinil é a primeira “droga inteligente” (smart drug) segura do mundo, concluem pesquisadores das universidades de Harvard e Oxford, após realizar uma compreensível revisão da droga. Eles concluíram que a droga, a qual é receitada para narcolepsia, porém é cada vez mais utilizada por pessoas saudáveis sem receita, pode melhorar a tomada de decisões, solução de problemas e possivelmente até torna pessoas mais criativas.

Mesmo reconhecendo que houve pouca informação disponível acerca dos efeitos do uso a longo prazo, os pesquisadores dizem que a droga aparenta ser segura para consumo no curto prazo, com poucos efeitos colaterais e nenhuma propriedade viciante.

Modafinil se tornou gradativamente comum em universidades espalhadas pela Inglaterra e pelos EUA. Receitado no Reino Unido como Provigil, foi licenciado em 2002 para uso no tratamento da narcolepsia – uma disordem cerebral que pode fazer o indivíduo dormir repentinamente em momentos inapropriados ou sentir uma persistente condição de fadiga e sono crônicos.

Utilizado sem receita e comprado por sites fáceis de encontrar, modafinil é uma das drogas inteligentes – usadas primariamente por pessoas desejando aperfeiçoar o foco para vestibulares e provas. Uma enquete dos leitores do jornal Nature sugeriu que um a cada cinco utilizaram drogas para melhorar o foco, com 44% declarando o modafinil como a droga escolhida. Mas apesar de sua crescente popularidade, houve pouco consenso sobre a extensão dos efeitos do modafinil em humanos saudáveis sem desordens de sono.

Uma nova revisão de 24 dos mais recentes estudos de modafinil sugere que a droga tem várias efeitos positivos em pessoas saudáveis, incluindo a melhora da atenção, do aprendizado, da memória e aumentando algo chamado “inteligência fluida” – essencialmente nossa capacidade de resolver problemas e pensar criativamente. Um estudo também mostrou que o modafinil fez tarefas se tornarem mais prazerosas. Quanto maior e mais complexa a tarefa testada, mais consistentemente o modafinil proporcionava benefícios cognitivos, declararam os autores da pesquisa.

A revisão aponta que efeitos negativos – incluindo um estudo que mostrou que pessoas já consideradas criativas tiveram uma pequena baixa na criatividade – foram relatados num pequeno número de tarefas, mas nunca consistentemente. O que indica que a droga afeta minimamente o humor e causa apenas efeitos colaterais pequenos como náusea, dores de cabeça e ansiedade, apesar que esses mesmos efeitos também foram relatados por pessoas que tomaram o placebo.

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Frasco e pílulas de Provigil (Modafinil). Fonte: mundoboaforma.com.br/modafinil-como-funciona-efeitos-colaterais-e-cuidados/

Outras drogas inteligentes propostas, como a Ritalina, receitada para TDAH, possuem muitos efeitos colaterais negativos, diz Anna-Katharine Brem, coautora da revisão, publicada hoje (20/08/15) no jornal Eropean Neropsychopharmacology. “Modafinil aparenta ser a primeira “droga inteligente” razoavelmente segura para pessoas saudáveis.”

Ela enfatizou que apesar da droga não ser considerada viciante, seus efeitos no longo prazo não foram estudados. “Seria dificil ter aprovação ética para testar os efeitos da ingestão da droga no longo prazo”, disse.

Peter Morgan, da Faculdade de Medicina de Yale, diz que há evidências substanciais que outros aprimoradores cognitivos, como cafeína ou nicotina, possuem benefícios no uso de curto prazo, mas esses benefícios se apagam no longo prazo e são substituídos por deficiências na performance cognitiva. “Não há evidência que o modafinil seria diferente neste aspecto”, declarou.

Os efeitos do modafinil no cérebro são complexos e não tão bem compreendidos. Uma teoria promissora é que a droga aumenta a circulação sanguínea para áreas do cérebro ligadas à atenção e aprendizado. Também pode auxiliar a atividade cerebral em áreas tidas como “condutores”, que regulam habilidades como memória, racionalidade e solução de problemas.

“Modafinil é o primeiro exemplo de verdade de uma droga inteligente que pode genuinamente ajudar na realização de provas, por exemplo,” declarou Guy Goodwin, presidente da European College of Neuropsychopharmacology. “Discussões éticas anteriores de tais agentes tendiam a assumir efeitos extravagantes antes de ficar claro se havia algum. Se correto, a atualização presente significa que o debate ético é real: como devemos classificar,promover ou condenar uma droga que aprimora a perfomance humana na ausência de problemas cognitivos pré-existentes?”

Goodwin aponta que drogas são aprovadas para tratar doenças se forem efeitvas e seguras. Os fabricantes de modafinil não tentarão extender a licença para potencialização de estudos e não haveria precedente para lidar com esse tipo de aplicação se eles tentassem, disse.

“Isso nos deixa em território desmarcado. Se há uma demanda por modafinil e pessoas estão preparadas para pagar por ele, um mercado ilegal será criado. Se isso se tornará um alvo para ação policial deve depender de como e se debates públicos evoluem para exigir certa ação.”

Brem and seu coautor Ruairidh Battleday pensa que a hora do debate chegou. “Pela primeira vez, temos um agente sem efeitos colaterais sérios exibindo benefícios que não tínhamos antes”.

“Não estamos dizendo ‘saia e tome essa droga e sua vida ficará melhor’,” diz Brem. “Ainda não tem licença para pessoas saudáveis – mas é hora de um debate mais amplo em como integrar aperfeiçoamento cognitivo em nossas vidas. Precisamos explorar a ética, e cientistas, políticos e o público precisa estar envolvido.”

Fonte: www.theguardian.com/science/2015/aug/20/narcolepsy-medication-modafinil-worlds-first-safe-smart-drug

Tradução: Renan Marron e Mota

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Sobre o Autor

Meu propósito de vida é difundir a arte do biohacking ajudando o maior número de pessoas. Sou viciado na possibilidade de nos tornarmos imortais e já provei quase todos os nootrópicos que sem notícia.

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